terça-feira, 24 de agosto de 2010

Gandhi

"Se eu pudesse deixar algum presente à você, deixaria aceso o sentimento de amar a vida dos seres humanos. A consciência de aprender tudo o que foi ensinado pelo tempo a fora. Lembraria os erros que foram cometidos para que não mais se repetissem. A capacidade de escolher novos rumos. Deixaria para você, se pudesse, o respeito aquilo que é indispensável. Além do pão, o trabalho. Além do trabalho, a ação. E, quando tudo mais faltasse, um segredo: o de buscar no interior de si mesmo a resposta e a força para encontrar a saída."

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Texto de Facundo Cabral, músico e escritor argentino.

Não estás deprimido, estás distraído.
Distraído em relação à vida que te preenche, distraído em relação à vida que te rodeia, golfinhos, bosques, mares, montanhas, rios.
Não caias como caiu teu irmão que sofre por um único ser humano, quando existem cinco mil e seiscentos milhões no mundo. Além de tudo, não é assim tão ruim viver só. Eu fico bem, decidindo a cada instante o que desejo fazer, e graças à solidão conheço-me. O que é fundamental para viver.
Não faças o que fez teu pai, que se sente velho porque tem setenta anos, e esquece que Moisés comandou o Êxodo aos oitenta e Rubinstein interpretava Chopin com uma maestria sem igual aos noventa, para citar apenas dois casos conhecidos.

Não estás deprimido, estás distraído.
Por isso acreditas que perdeste algo, o que é impossível, porque tudo te foi dado. Não fizeste um só cabelo de tua cabeça, portanto não és dono de coisa alguma. Além disso, a vida não te tira coisas: te liberta de coisas, alivia-te para que possas voar mais alto, para que alcances a plenitude.
Do útero ao túmulo, vivemos numa escola; por isso, o que chamas de problemas são apenas lições. Não perdeste coisa alguma: aquele que morre apenas está adiantado em relação a nós, porque todos vamos na mesma direção.
E não esqueças, que o melhor dele, o amor, continua vivo em teu coração.
Não existe a morte, apenas a mudança.
E do outro lado te esperam pessoas maravilhosas: Gandhi, o Arcanjo Miguel, Whitman, São Agostinho, Madre Teresa, teu avô e minha mãe, que acreditava que a pobreza está mais próxima do amor, porque o dinheiro nos distrai com coisas demais, e nos machuca, porque nos torna desconfiados.
Faz apenas o que amas e serás feliz. Aquele que faz o que ama, está benditamente condenado ao sucesso, que chegará quando for a hora, porque o que deve ser será, e chegará de forma natural.
Não faças coisa alguma por obrigação ou por compromisso, apenas por amor.
Então terás plenitude, e nessa plenitude tudo é possível sem esforço, porque és movido pela força natural da vida. A mesma que me ergueu quando caiu o avião que levava minha mulher e minha filha;
a mesma que me manteve vivo quando os médicos me deram três ou quatro meses de vida.
Deus te tornou responsável por um ser humano, que és tu. Deves trazer felicidade e liberdade para ti mesmo.
E só então poderás compartilhar a vida verdadeira com todos os outros.
Lembra-te: "Amarás ao próximo como a ti mesmo".
Reconcilia-te contigo, coloca-te frente ao espelho e pensa que esta criatura que vês, é uma obra de Deus, e decide neste exato momento ser feliz, porque a felicidade é uma aquisição.
Aliás, a felicidade não é um direito, mas um dever; porque se não fores feliz, estarás levando amargura para todos os teus vizinhos.
Um único homem que não possuiu talento ou valor para viver, mandou matar seis milhões de judeus, seus irmãos.
Existem tantas coisas para experimentar, e a nossa passagem pela terra é tão curta, que sofrer é uma perda de tempo.
Podemos experimentar a neve no inverno e as flores na primavera, o chocolate de Perusa, a baguette francesa, os tacos mexicanos, o vinho chileno, os mares e os rios, o futebol dos brasileiros, As Mil e Uma Noites, a Divina Comédia, Quixote, Pedro Páramo, os boleros de Manzanero e as poesias de Whitman; a música de Mahler, Mozart, Chopin, Beethoven; as pinturas de Caravaggio, Rembrandt, Velázquez, Picasso e Tamayo, entre tantas maravilhas.
E se estás com câncer ou AIDS, podem acontecer duas coisas, e ambas são positivas:
se a doença ganha, te liberta do corpo que é cheio de processos (tenho fome, tenho frio, tenho sono, tenho vontades, tenho razão, tenho dúvidas)
Se tu vences, serás mais humilde, mais agradecido... portanto, facilmente feliz, livre do enorme peso da culpa, da responsabilidade e da vaidade,
disposto a viver cada instante profundamente, como deve ser.

Não estás deprimido, estás desocupado.
Ajuda a criança que precisa de ti, essa criança que será sócia do teu filho. Ajuda os velhos e os jovens te ajudarão quando for tua vez.
Aliás, o serviço prestado é uma forma segura de ser feliz, como é gostar da natureza e cuidar dela para aqueles que virão.
Dá sem medida, e receberás sem medida.
Ama até que te tornes o ser amado; mais ainda converte-te no próprio Amor.
E não te deixes enganar por alguns homicidas e suicidas.
O bem é maioria, mas não se percebe porque é silencioso.
Uma bomba faz mais barulho que uma caricia, porém, para cada bomba que destrói há milhões de carícias que alimentam a vida.

Descobrindo Minas Gerais

Há três semanas atrás , estive visitando, com um grupo de amigos, duas cidades próximas a Barbacena de nome Ressaquinha e Alfredo Vasconcelos. Na verdade passei....por Alfredo Vasconcelos para visitar um sitio de um casal de amigos.
No caminho uma parada para um almoço maravilhoso com comida típica mineira com direito a fogão a lenha . Nossa! um absurdo de delicioso. Canjiquinha , aipim, couve, linguicinha, farofinha deliciosa, tudo que imaginar...
O sítio fica num vale , com clima super agradável e lá entre várias outras plantações existe a de morango e rosas . Um lugar delicioso, como uma energia sutil, pura. Nossa! como faz bem , como para se sentir bem e feliz precisa-se de tão pouco.
E os vizinhos? Pessoas gentis, hospitaleiras , sempre prontas a ajudar. Com uma sabedoria própria que não foi ensinada nas faculdades.
Ressaquinha é uma cidade aconchegante, simples , uma gracinha.
E assim vamos desbravando aos poucos lugares tão agradáveis em MG.

Roseiral em MG

Rosas em Alfredo Vasconcelos, MG

Alfredo Vasconcelos, é uma cidadezinha, próxima a Barbacena , em Minas Gerais. Lá é muito comum o plantio de rosas e também de morangos. Aqui é uma estufa com rosas.

Força Estranha

Estou a procura
de um caminho
que me conduza
a um lugar conhecido
mas perdido ao longo do tempo.
Antes era luz, alegria.
Um lugar aconchegante
como um abraço ...
Agora é apenas um lugar
e se fosse um tela
pintaria de cinza
com alguns pontos azul e amarelo.
Ah! Mas não vale!
O céu, o mar, o sol ,
A natureza, já existiam por aqui...
E que lindo presente.
Procuro, procuro ....
e não consigo encontrar
um significado para esse instante.
Mas respiro fundo e sigo adiante,
afinal existe um força estranha
e maravilhosa que nos conduz.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Cavalhada, Pirenópolis

Eu, visitando o museu da Cavalhada , uma festa típica da cidade, tradicional, considerada uma festa folclórica de estilo dramático, pela encenação em que moradores se vestem de cavalheiros da época medieval.

Pireneus

Ao fundo da foto, a Serra dos Pireneus, um paredão montanhoso, com mais de 1300m de altura, divisor de águas das mais importantes bacias hidrográficas do continente, Platina e Tocantinense, em terras brasileiras onde há muitas nascentes , cachoeiras, maravilhoso! Parece uma muralha.

Igreja Matriz no Centro de Pirenópolis

Linda, cercada de palmeiras imperiais.

Centro De Pirenópolis


As casas no Centro Histórico são em estilo colonial. Com eira e beira , como se diz. Se vocês repararem não existem postes com fiação elétrica visível nas ruas, é tudo embutido. E observem como as ruas são limpas e o aspecto das residências, ´muito legal!

sábado, 7 de agosto de 2010

Pirenópolis, Goiás

Pirenópolis é uma cidadezinha linda , acolhedora , com um astral maravilhoso que fica situada em Goiás , há duas horas de Brasília. O nome se dá porque é cercada pela Serra dos Pireneus. A cidade é uma mistura de Paraty(RJ) com Tiradentes(MG). Tem um artesanato riquíssimo, uma famosa feira na qual os artesãos expõe e vendem seu trabalho de quinta feira a domingo. Durante o resto da semana eles se dedicam a produção , outros trabalhos e descanso. O clima é delicioso porque fica bem próximo as montanhas e o céu tem um azul intenso, lindo! Um lugar simplesmente adorável onde os moradores fazem de tudo para que nos sintamos "em casa ". Há generosidade, simplicidade e educação. Em Pirenópolis também está localizado o Ecocentro Ipec, onde vão pessoas do mundo inteiro para realizar cursos relacionados a permacultura . No centro histórico ficam os cafés, restaurantes, e música, música para todos os gostos... bossa nova , mpb, jazz, blues, nossa!, uma maravilha que lembra muito Paraty. Muitos grupos de fora vão se apresentar nos finais de semana. A comida típica é variada, muito parecida com MG, uma delícia! E as cachoeiras .... Santa Maria, Lázaro , cachoeira com praia, simplesmente um presente da natureza.

domingo, 1 de agosto de 2010

Vidas

Quantos anos passados

quantas vidas vividas,

como Paula, Maria, José...

tantos personagens.

O quanto aprendemos, crescemos,

tanto ficou pra trás.

Muitos tratos , distratos, crenças

pactos não ditos e escritos.

Amores, vidas vividas...

Aqui estou agora,

mais uma vez...

a buscar, a lutar, a aprender,

tantas coisas

para ser feliz.

Estou Viva

Estou viva
Sinto o ar passar
Meu sangue fluir
Calor, frio, arrepio.
Meus olhos transbordam
e sinto lágrimas em minha face.
Meu coração bate firme e forte,
são muitas emoções, tantas provações
e quantas alegrias...
A vida segue seu curso,
não sou a senhora do tempo,
sou uma simples aprendiz ,
algumas vezes tropeço ,
mas sigo sempre firme.
Amo sentir a terra,
ouvir o mar, perceber o vento.
Amo sentir a vida que sopra das montanhas
a verdade que existe por lá.
A fonte de tudo que é real.
Quando pegamos a terra
e ela escorre entre nossos dedos.

domingo, 18 de julho de 2010

Terra, Somos Todos Um

Não estamos sozinhos - Somos todos da Terra. O mundo tornou-se um mercado e temos que aceitar a idéia de que os recursos não são abundantes e intermináveis. Nos não estamos freando o consumo, de fato estamos acelerando a utilização dos recursos mais rápidos do que eles se reproduzem. A MÂE TERRA está reagindo. - Pense nisso!!! Medite a respeito !!!

Faluas do Tejo, Madredeus

Procure um Amante, por Jorge Bucay

"Muitas pessoas tem um amante e outras gostariam de ter um. Há também as que não tem, e as que tinham e perderam". Geralmente, são essas últimas que vem ao meu consultório, para me contar que estão tristes ou que apresentam sintomas típicos de insônia, apatia, pessimismo, crises de choro, dores etc. Elas me contam que suas vidas traAlinhar ao centronscorrem de forma monótona e sem perspectivas, que trabalham apenas para sobreviver e que não sabem como ocupar seu tempo livre. Enfim, são várias as maneiras que elas encontram para dizer que estão simplesmente perdendo a esperança. Antes de me contarem tudo isto, elas já haviam visitado outros consultórios, onde receberam as condolências de um diagnóstico firme: "Depressão", além da inevitável receita do anti-depressivo do momento. Assim, após escutá-las atentamente, eu lhes digo que não precisam de nenhum anti-depressivo; digo-lhes que precisam de um AMANTE!!! É impressionante ver a expressão dos olhos delas ao receberem meu conselho. Há as que pensam: "Como é possível que um profissional se atreva a sugerir uma coisa dessas"?! Há também as que, chocadas e escandalizadas, se despedem e não voltam nunca mais. Aquelas, porém, que decidem ficar e não fogem horrorizadas, eu explico o seguinte: "AMANTE" é aquilo que nos "apaixona", é o que toma conta do nosso pensamento antes de pegarmos no sono, é também aquilo que, às vezes, nos impede de dormir. O nosso "AMANTE " é aquilo que nos mantém distraídos em relação ao que acontece à nossa volta. É o que nos mostra o sentido e a motivação da vida. Às vezes encontramos o nosso "AMANTE" em nosso parceiro, outras, em alguém que não é nosso parceiro, mas que nos desperta as maiores paixões e sensações incríveis. Também podemos encontrá-lo na pesquisa científica ou na literatura, na música, na política, no esporte, no trabalho, na necessidade de transcender espiritualmente, na boa mesa, no estudo ou no prazer obsessivo do passatempo predileto.... Enfim, é "alguém!" ou "algo" que nos faz "namorar a vida" e nos afasta do triste destino de "ir levando"!.. E o que é "ir levando"? Ir levando é ter medo de viver. É o vigiar a forma como os outros vivem, é o se deixar dominar pela pressão, perambular por consultórios médicos, tomar remédios multicoloridos, afastar-se do que é gratificante, observar decepcionado cada ruga nova que o espelho mostra, é se aborrecer com o calor ou com o frio, com a umidade, com o sol ou com a chuva. Ir levando é adiar a possibilidade de desfrutar o hoje, fingindo se contentar com a incerta e frágil ilusão, de que talvez possamos realizar algo amanhã*. Por favor, não se contente com "ir levando"; procure um amante, seja também um amante e um protagonista ... DA SUA VIDA! Acredite: O trágico não é morrer, afinal a morte tem boa memória, e nunca se esqueceu de ninguém. O trágico é desistir de viver... Por isso, e sem mais delongas, procure um amante ... A psicologia após estudar muito sobre o tema, descobriu algo transcendental: "PARA ESTAR SATISFEITO, ATIVO E SENTIR-SE JOVEM E FELIZ, É PRECISO NAMORAR A VIDA".

Na Ilha Por Vezes Habitada, de José Saramago

Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de
morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as
palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas
mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a
vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.

José Saramago

José Saramago nasceu na vila de Azinhaga, no concelho da Golegã, de uma família de pais e avós agricultores. A sua vida é passada em grande parte em Lisboa, para onde a família se muda em 1924 – era um menino de apenas dois anos de idade. Dificuldades económicas impedem-no de entrar na universidade. Demonstra desde cedo interesse pelos estudos e pela cultura, sendo que esta curiosidade perante o Mundo o acompanhou até à morte. Formou-se numa escola técnica. O seu primeiro emprego foi de serralheiro mecânico. Fascinado pelos livros, visitava, à noite, com grande frequência, a Biblioteca Municipal Central — Palácio Galveias. Aos 25 anos, publica o primeiro romance Terra do Pecado (1947), no mesmo ano de nascimento da sua filha, Violante, fruto do primeiro casamento com Ilda Reis – com quem se casou em 1944 e com quem permaneceu até 1970. Nessa época, Saramago era funcionário público. Em 1988, casar-se-ia com a jornalista e tradutora espanhola María del Pilar del Río Sánchez, que conheceu em 1986 e ao lado da qual viveu até à morte. Em 1955 e para aumentar os rendimentos, começou a fazer traduções de Hegel, Tolstoi e Baudelaire, entre outros. Depois de Terra do Pecado, Saramago apresentou ao seu editor o livro Clarabóia que, depois de rejeitado, permanece inédito até à data de hoje. Persiste, contudo, nos esforços literários e, dezanove anos depois, funcionário,então, da Editorial Estudos Cor, troca a prosa pela poesia, lançando Os Poemas Possíveis. Num espaço de cinco anos, publica, sem alarde, mais dois livros de poesia: Provavelmente Alegria (1970) e O Ano de 1993 (1975). É quando troca também de emprego, abandonando a Estudos Cor para trabalhar no Diário de Notícias (DN) e, depois, no Diário de Lisboa. Em 1975, retorna ao DN como Director-Adjunto, onde permanece por dez meses, até 25 de Novembro do mesmo ano, quando os militares portugueses intervêm na publicação (reagindo ao que consideravam os excessos da Revolução dos Cravos) demitindo vários funcionários. É, hoje, controverso o modo ditatorial como saneou jornalistas do DN. Demitido, Saramago resolve dedicar-se apenas à literatura, substituindo de vez o jornalista pelo ficcionista: "(…) Estava à espera de que as pedras do puzzle do destino – supondo-se que haja destino, não creio que haja – se organizassem. É preciso que cada um de nós ponha a sua própria pedra, e a que eu pus foi esta: "Não vou procurar trabalho", disse Saramago em entrevista à revista Playboy, em 1988.[2] Da experiência vivida nos jornais, restaram quatro crónicas: Deste Mundo e do Outro, 1971, A Bagagem do Viajante, 1973, As Opiniões que o DL Teve, 1974 e Os Apontamentos, 1976. Mas não são as crónicas, nem os contos, nem o teatro os responsáveis por fazer de Saramago um dos autores portugueses de maior destaque - esta missão está reservada aos seus romances, género a que retorna em 1977. Três décadas depois de publicado Terra do Pecado, Saramago retornou ao mundo da prosa ficcional com Manual de Pintura e Caligrafia. Mas ainda não foi aí que o autor definiu o seu estilo. As marcas características do estilo Saramaguiano só apareceriam com Levantado do Chão (1980), livro no qual o autor retrata a vida de privações da população pobre do Alentejo. Dois anos depois de Levantado do Chão (1982), surge o romance Memorial do Convento, livro que conquista definitivamente a atenção de leitores e críticos. Nele, Saramago misturou factos reais com personagens inventados: o rei D. João V e Bartolomeu de Gusmão, com a misteriosa Blimunda e o operário Baltazar, por exemplo. O contraste entre a opulenta aristocracia ociosa e o povo trabalhador e construtor da história servem de metáfora à medida da luta de classes marxista. A crítica brutal a uma Igreja ao serviço dos opressores inicia a exposição de uma tentativa de destruição do fenómeno religioso como devaneio humano construtor de guerras. De 1980 a 1991, o autor trouxe a lume mais quatro romances que remetem a factos da realidade material, problematizando a interpretação da "história" oficial: O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984) - sobre as andanças do heterónimo de Fernando Pessoa por Lisboa; A Jangada de Pedra (1986) - em que se questiona o papel Ibérico na então CEE através da metáfora da Península Ibérica soltando-se da Europa e encontrando o seu lugar entre a velha Europa e a nova América; História do Cerco de Lisboa (1989) - onde um revisor é tentado a introduzir um "não" no texto histórico que corrige, mudando-lhe o sentido; e O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991) - onde Saramago reescreve o livro sagrado sob a óptica de um Cristo que não é Deus e se revolta contra o seu destino e onde, a fundo, questiona o lugar de Deus, do cristianismo, do sofrimento e da morte. (sendo esta a sua obra mais controversa). Nos anos seguintes, entre 1995 e 2005, Saramago publicou mais seis romances, dando início a uma nova fase em que os enredos não se desenrolam mais em locais ou épocas determinados e personagens dos anais da história se ausentam: Ensaio Sobre a Cegueira (1995); Todos os Nomes (1997); A Caverna (2001); O Homem Duplicado (2002); Ensaio Sobre a Lucidez (2004); e As Intermitências da Morte (2005). Nessa fase, Saramago penetrou de maneira mais investigadora os caminhos da sociedade contemporânea, questionando a sociedade capitalista e o papel da existência humana condenada à morte. Saramago faleceu no dia 18 de Junho de 2010[3], aos 87 anos de idade, na sua casa em Lanzarote onde residia com a mulher Pilar del Rio, vítima de leucemia crónica[4]. O escritor estava doente há algum tempo e o seu estado de saúde agravou-se na sua última semana de vida.

domingo, 27 de junho de 2010

Enchente em Pernambuco

Simultaneidade

Estamos em plena Copa do Mundo 2010 e paralelamente quantas coisas acontecendo conosco e ao nosso redor. É inegável o valor do esporte ético, do profissionalismo e dedicação de vários profissionais em um evento grandioso como este; porém não devemos também nos esquecer do grande negócio que o futebol, infelizmente, se tornou para um grupo de pessoas envolvidas. É escancarada a propaganda de grandes marcas e ficamos a imaginar até que ponto hoje em dia uma Copa do Mundo ainda é ganha pelos valores profissionais e éticos de um time. Por outro lado nossa vida real diária, nossa casa , nossa família, trabalho... enfim, a vida continua ... Adoraria ser daquele tipo que só enxerga as coisas boas e maravilhosas da vida. Ser menos crítica, menos "cricri", para alguns talvez até insuportável! Hoje por exemplo aqui na minha cidade esta um dia de sol lindo, iluminado e com uma energia deliciosa no ar, vou até caminhar na praia mas isso não me impede de saber que ao redor do mundo, simultaneamente, muitas coisas estão acontecendo... boas ou não.... E não tenho como me alienar, fingir que está tudo bem, simplesmente não consigo, que pena! Será? Não vou salvar o mundo sozinha nem nada parecido mas quero participar do meu jeito e dentro das minhas limitações para alguma coisa , pequenina que seja, se tornar melhor. Abri o jornal e as notícias: vulcão em erupção na Guatemala, tempestade Alex em El Salvador, chuvas torrenciais no Nordeste com muitas pessoas desabrigadas, terremoto nas Ilhas Salomão, vários desabrigados em nosso estado, Rj, não mostram mais porque é feio mas existem..., vazamento de petróleo no Golfo do México, crise financeira .... Precisa mais? Porque tem muito mais; assim como sei que tem tanta coisa linda e maravilhosa! Mas dá pra se alienar?

sábado, 26 de junho de 2010

O Sal da Terra

Homenagem à nossa querida amiga, mãe, casa .... Terra.

Tears for Fears

Paralamas do Sucesso

Lanterna dos Afogados, de Hebert Vianna

Quando tá escuro

E ninguém te ouve

Quando chega a noite

E você pode chorar

Há uma luz no túnel Dos desesperados

Há um cais de porto

Pra quem precisa chegar

Eu estou na lanterna dos afogados

Eu estou te esperando

Vê se não vai demorar

Uma noite longa

Pra uma vida curta

Mas já não me importa

Basta poder te ajudar

E são tantas marcas

Que já fazem parte

Do que eu sou agora

Mas ainda sei me virar

Eu tô na lanterna dos afogados

Eu tô te esperando

Vê se não vai demorar ...

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Vulnerável x Firme , Quiroga

Achei bastante pertinente as palavras para o dia de hoje no site do Quiroga. De fato, a melhor forma de escravizar e dominar as pessoas, a arma utilizada pelo inimigo oculto ou conhecido, é através do medo, da ira, fazendo com que aqueles que se amam fiquem em guerra uns contra os outros. Um total gasto de energia dando lugar ao desequilíbrio interior, à perca de foco por uma causa maior, pelo seu verdadeiro norte. Devemos estar sempre vigilantes às nossas atitudes.
Aí vai Quiroga:
"O bem é invencível, mas paradoxalmente não opera através da imposição, sua graça só pode ser evocada através do livre arbítrio. Na margem contrária, o mal impõe e opera através do medo, da cobiça, da ira e da tentativa de colocar os humanos uns contra os outros. Isso não é nada difícil, porque com os humanos partindo do princípio que eles e elas são o fundamento de suas próprias vidas acabam atribuindo a si o que não procede de suas essências, são apenas estações repetidoras e multiplicadoras da graça divina. Com cada humano se achando o centro crítico do Universo, o mal não tem dificuldade alguma de impor, separar, infundir medo e cobiça, já que as pessoas olham às outras com desconfiança em vez de amor. Apesar de tudo, o bem é invencível".